Robison SouzaDepoimento Especial
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Protocolo NICHD: o que o advogado precisa saber para avaliar um depoimento especial

O protocolo NICHD (National Institute of Child Health and Human Development) é o padrão internacional mais validado para entrevistas investigativas com crianças. Ele estrutura a conversa em fases, prioriza o relato livre e restringe perguntas fechadas ao mínimo. Para o advogado, a aderência — ou não — ao protocolo é o critério mais objetivo para avaliar a qualidade técnica de um depoimento especial e fundamentar impugnações.

Por que existe um protocolo

Décadas de pesquisa demonstraram que a forma de perguntar altera o conteúdo do relato infantil. Perguntas abertas produzem narrativas mais longas e mais precisas; perguntas sugestivas introduzem informação e comprometem tudo o que vem depois. No Brasil, essa evidência foi incorporada ao Protocolo Brasileiro de Entrevista Forense (PBEF), adotado pelo CNJ na Resolução nº 299/2019 e largamente baseado no NICHD. O NICHD nasceu para converter a pesquisa em procedimento replicável: um roteiro de fases e formulações que maximiza o relato espontâneo e minimiza a contaminação. Não é burocracia — é controle de qualidade da prova.

As fases da entrevista

O que a aderência ao protocolo revela — e o que a violação custa

Quando o entrevistador declara o protocolo e o segue, o depoimento ganha lastro metodológico: é possível verificar, pergunta a pergunta, se a informação central veio da criança. Quando não há protocolo declarado, ou quando a gravação mostra perguntas de opção forçada e sugestões em série, a análise técnica documenta cada desvio com transcrição literal e minutagem. O resultado não é automático — o juiz valora a prova —, mas a demonstração objetiva de vícios metodológicos desloca o debate da retórica para a técnica.

Tipologia de perguntas segundo o protocolo

TipoExemploEfeito sobre o relato
Convite aberto"Conta tudo o que aconteceu."Relato mais longo e mais preciso
Diretiva"Onde vocês estavam?"Detalha o que a criança já trouxe
Opção forçada"Foi de dia ou de noite?"Risco: a criança escolhe sem saber
Sugestiva"Ele te machucou, não foi?"Introduz conteúdo; compromete o que segue

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Perguntas frequentes

O NICHD é obrigatório no Brasil?
Não há imposição legal de um protocolo específico, mas a Lei 13.431/2017 exige profissional capacitado e protocolos definidos — e o NICHD é a referência mais validada internacionalmente.
Como sei qual protocolo foi usado na oitiva?
Deve constar da capacitação do entrevistador e, idealmente, do próprio registro do ato. A ausência de protocolo declarado é, em si, um achado técnico relevante.
Uma pergunta sugestiva anula o depoimento?
Isoladamente, em regra, não. A análise pondera o conjunto: quantas sugestões, em que momento, e se a informação central do relato nasceu delas.
O advogado pode exigir formulação aberta das suas perguntas?
As perguntas das partes são encaminhadas ao entrevistador, que as adapta. Formular quesitos já em formato tecnicamente admissível aumenta a chance de serem aproveitadas.
Quem analisa a aderência ao protocolo?
O assistente técnico psicólogo, pela gravação: classifica cada pergunta, mapeia a origem de cada informação e documenta os desvios com transcrição literal.

Robison Souza — Perito em Psicologia Forense · Site: www.robisonsouza.com.br · WhatsApp: (12) 99740-2674

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